Na lavoura19 set 20261 min de leitura
Café não começa na cafeteira. Começa na lavoura.
Você olha para uma xícara e vê uma bebida. Antes dela chegar até você, existe todo um processo — e cada etapa muda o que você sente no gole.

Frutos em maturação: do verde ao cereja, cada um no seu tempo.
Colher antes da hora economiza trabalho e custa sabor. Entenda por que esperamos o fruto chegar ao auge do açúcar.
Na lavoura, a colheita tem uma janela estreita. O fruto do café passa do verde ao cereja e, se for deixado no pé além do ponto, passa a passa e seca.
Colher tudo de uma vez, com todos os estágios misturados, é mais rápido e mais barato. O preço se paga depois: grãos verdes trazem adstringência, e grãos passados trazem sabor de fermentado indesejado. O lote inteiro cai de nota por causa de uma pressa.
Na nossa lavoura a colheita é seletiva. Passamos mais de uma vez pelo mesmo talhão, respeitando a maturação de cada planta. É trabalhoso, rende menos por dia — e é exatamente o que sustenta a doçura que você sente na xícara sem precisar de açúcar.
Toda colheita parece sorte para quem não viu o plantio.
Por Liga do Café · da lavoura na Zona da Mata Mineira
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